

Mais de 30 servidores e servidoras de centrais psicossociais e outros setores afins iniciaram, na tarde desta terça-feira (4), de minicurso promovido pelo Tribunal de Justiça do Amapá (TJAP), por meio da Escola Judicial do Amapá (EJAP), com foco na “Elaboração de Relatório Multidisciplinar com auxílio de IA”. Ministrada pelo instrutor Rodrigo Lima, do Tribunal de Justiça do Pará (TJPA), a capacitação, com carga horária de 20 horas-aula, ocorreu de forma virtual, pela plataforma Zoom, e é voltada aos profissionais que atuam nas equipes multidisciplinares do TJAP.
A formação tem como objetivo apresentar recursos tecnológicos de Inteligência Artificial (IA) generativa capazes de apoiar a leitura, a redação e a estruturação de relatórios psicológicos, sociais e integrados. Além disso, o minicurso busca fortalecer o senso crítico necessário para validar e adaptar textos produzidos com auxílio de ferramentas de IA, com rigor técnico e responsabilidade no uso dessas tecnologias no contexto judicial – à luz de normativas do próprio Conselho Nacional de Justiça sobre o tema (como a Resolução 615/2025).
Segundo o instrutor Rodrigo Lima, a formação representa um avanço significativo na modernização das rotinas do Judiciário, sem perder de vista a ética e o olhar humano que devem orientar o uso das novas tecnologias.
O formador Rodrigo Lima explicou que o curso tem o propósito de funcionar como um bate‑papo. “A ideia é que já seja bem mão na massa, mas não é preciso ter nenhum tipo de conhecimento prévio em nada relacionado a IA — nós vamos ver bem do começo, bem nivelado”, assegurou.
“O curso será centrado nas rotinas dos participantes e nos exemplos que construiremos juntos, pois esse curso gira em torno de vocês, do que vocês fazem no dia a dia”, complementou.
Sobre expectativas realistas e limites da tecnologia, ele fez a analogia do papel do usuário como especialista e da IA como um “estagiário” em evolução. “O especialista da conversa tem que ser você, pois a IA não faz o trabalho para vocês. Ela apenas é um ponto de partida — se ela acerta 70–80% já ajuda vocês a completarem os 20–30% que faltam”, defendeu.
Ele também ressaltou preocupações éticas e conformidade com normas: “Precisamos ver o que pode e o que não pode na utilização de IA generativa, especialmente em dados sigilosos, à luz da Resolução 615 do CNJ”
A chefe de gabinete da Coordenadoria Estadual da Infância e Juventude (CEIJ), Antonice Melo, participante do curso, afirmou que quer aprender sempre e precisamos otimizar o nosso tempo. “Precisamos também dessa ajuda absurda que as IAs nos dão porque elas conseguem fazer uma busca no universo todo e trazer coisas para a gente, que a gente nem lembrava mais", observou.
A assistente social Jayne Ferreira Esteves, da Central Psicossocial de Macapá, explicou que anota até o “pensamento" de quem entrevista. “Eu vou atender uma pessoa e anoto quatro páginas, quando descobri uma IA que transcreve para mim com qualidade, passei a fazer a gravação das entrevistas e economizar meu tempo".
Metodologia
Durante o curso, os participantes têm acesso a conteúdos que abordam desde os conceitos básicos de IA e suas aplicações nas áreas psicossocial e jurídica até análises de casos práticos, questões éticas e cuidados essenciais no uso das tecnologias emergentes. A proposta pedagógica da EJAP prioriza a prática, com exercícios reais, simulações e experimentações de ferramentas, de modo a aproximar o aprendizado da rotina de trabalho das equipes.
A programação do minicurso contempla duas etapas principais. Na primeira aula, os servidores são introduzidos à IA aplicada ao Judiciário, conheceram suas aplicações no trabalho das equipes multidisciplinares, as principais ferramentas generativas disponíveis, bem como a Resolução nº 615/2025 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que regulamenta o uso de soluções comerciais de IA. São também debatidos temas como vieses, confidencialidade, erros e responsabilidade técnica.
Na segunda etapa, os participantes vivenciam uma oficina prática sobre elaboração de relatórios com IA, aplicam técnicas de engenharia de prompts, construção e customização de conteúdos, análise crítica e documentação do uso da IA nos relatórios – em conformidade com os princípios de transparência e boas práticas.
– Macapá, 04 de novembro de 2025 –
Secretaria de Comunicação do TJAP
Texto: Elton Tavares e Aloísio Menescal
Arte: Carol Chaves
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