

No mês dedicado às mulheres, o programa JudiciRádio Notícias destaca o protagonismo feminino em áreas estratégicas e sociais. Apresentado por Cybelle Andrade e Fernanda Ferreira, o programa vai ao ar, de segunda a sexta-feira, das 11h às 12h. Nesta edição desta quarta-feira (25), o programa recebeu a analista de Segurança da Informação do Tribunal de Justiça do Amapá (TJAP), educadora e ativista antirracista, Edna Karla Mello.
Durante a entrevista, a servidora compartilhou sua trajetória no TJAP e o caminho que construiu desde muito cedo na área da tecnologia. Além disso, destacou que sua trajetória sempre esteve marcada por desafios, especialmente por estar em um espaço historicamente ocupado por homens.
“Quando você é mulher já enfrenta dificuldades. Quando é uma mulher negra, existe outro recorte. Precisamos nos afirmar o tempo todo”, afirmou a entrevistada.
Além da atuação profissional, Edna Karla também falou sobre sua experiência na educação e como esse contato despertou um novo olhar para a questão racial.
“Quando eu voltei para a sala de aula, a educação antirracista deu um ‘clique’ na minha cabeça. Eu comecei a estudar e entender que tudo isso passa pela educação”, explicou a educadora.
Atuante na educação básica, a servidora destacou a importância do papel da escola no enfrentamento ao racismo desde a infância. Segundo ela, não há espaço para omissão diante de situações discriminatórias no ambiente escolar.
“Eu já interrompi aula para tratar sobre racismo, porque não aceito esse tipo de comportamento. Muitas vezes, a criança chega com seu cabelo natural e acaba por ser alvo de comentários preconceituosos. É nesse momento que precisamos intervir, pois a escola é a base da formação cidadã”, afirmou.
Para Edna Karla, a escola desempenha um papel que vai além do ensino de conteúdos, ao contribuir diretamente para a formação de valores e para o acolhimento dos alunos. Em sua avaliação, o ambiente escolar deve ser um espaço de segurança, escuta e desenvolvimento integral.
“A escola muitas vezes é o lugar onde o aluno se sente seguro, onde ele pode aprender e se expressar. Precisamos aproveitar esse espaço para formar cidadãos mais conscientes, preparados para conviver com respeito e responsabilidade na sociedade”, destacou.
A entrevistada também abordou o processo de construção do conhecimento sobre a pauta racial e os desafios enfrentados pelas próprias mulheres nesse caminho.
“Achamos que não sabemos o suficiente para falar. Essa sensação de não estar pronta é muito comum entre mulheres. Mas precisamos ocupar esses espaços”, ressaltou Edna Karla.
A entrevista também trouxe reflexões sobre o papel das instituições públicas. De acordo com a entrevistada “quando o Judiciário passa a discutir a educação antirracista, fortalece seu compromisso com a sociedade e contribui para um mundo mais justo”, pontuou.
A participação integra a programação especial do JudiciRádio Notícias em alusão ao Mês das Mulheres, que valoriza trajetórias femininas e histórias que promovem transformação social.
– Macapá, 25 de março de 2026 –
Secretaria de Comunicação do TJAP
Texto: Cybelle Andrade
Fotos: Júlia Pontes
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