

A Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar do Tribunal de Justiça do Amapá (Cevid/TJAP) realizou, nesta sexta-feira (17), o 5º encontro do ciclo de palestras do Projeto Divas Tucuju na Escola Estadual Lucimar Amoras Del Castillo, em Macapá. A ação, que incentiva conversas, escuta qualificada e conscientização dentro do ambiente escolar, reuniu alunas de turmas distintas e trouxe temas como interseccionalidades de gênero, transfobia e roda das emoções.
A programação foi direcionada pela pedagoga Simone Freitas, a psicóloga Reni Wilka - ambas da CEVID - e contou com contribuições de acadêmicos de psicologia da Universidade Federal do Amapá (UNIFAP), que explicaram conceitos básicos sobre como o gênero se cruza com raça, classe, orientação sexual e outros marcadores sociais, o que gera formas combinadas e simultâneas de violências ou preconceitos que devem ser identificados e combatidos em coletivo por toda a sociedade.
A psicóloga da CEVID, Reni Wilka, trouxe dinâmicas práticas que construíram caminhos para o controle das emoções. “O trabalho com as emoções é essencial, especialmente para que elas ajam com humanidade e autocontrole. Ao falarmos de controle, não significa suprimir ou perder as emoções, mas sim gerenciá-las de forma equilibrada, a fim de evitar o desenvolvimento de transtornos mentais, como ansiedade e depressão, que podem surgir da falta de atenção adequada ao que nossa saúde mental diz”, comentou a servidora.
A manhã de conhecimento teve ainda a participação dos estagiários do curso de psicologia da Universidade Federal do Amapá (Unifap), Luana Pimentel, Anthony Lucas de Oliveira e Gabriel Alencar, trouxeram reflexões sobre comportamentos que podem fortalecer a inclusão e acolhimento de minorias dentro das salas de aula, além de criar vínculos e promover pensamentos com alteridade, que é o reconhecimento da singularidade e humanidade do "outro".
O acadêmico de psicologia e voluntário do Divas Tucuju, Gabriel Alencar, destacou o caráter democrático da aula e o impacto do contato direto com a realidade das estudantes. “Quando abordamos a violência contra mulheres, frequentemente a atenção se volta para a violência direcionada a mulheres cisgênero - que nasceram biologicamente com o gênero que se identificam. O objetivo deste encontro é justamente trazer as experiências de mulheres trans e explorar os tipos de violência que elas enfrentam, distintos daqueles vivenciados por mulheres cis, mas igualmente importantes”, afirmou.
“Ao observar uma pessoa trans em sala de aula, percebemos que ela pode estar mais reclusa, introspectiva ou tímida. O objetivo é também incentivar atitudes de inclusão, não apenas na escola, mas na comunidade e na família”, explicou Gabriel Alencar.
Sobre o Divas Tucuju
Lançado em agosto de 2025, o projeto busca fortalecer a autonomia de estudantes do gênero feminino por meio do acesso à informação e do incentivo ao pensamento crítico. A iniciativa também contribui para a construção de uma cultura de respeito e prevenção à violência.
– Macapá, 17 de abril de 2026 –
Secretaria de Comunicação do TJAP
Texto e fotos: Fernanda Ferreira
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